6 de maio de 2013

Pelo direito a ficar triste



Tenho percebido mudanças comportamentais em meus círculos sociais que jamais ocorreriam em anos passados... Por exemplo, um amigo era sempre um amigo de verdade, com o qual se poderia contar em todos os momentos, fossem eles bons ou ruins. Pode parecer precipitado, mas parece-me que, com a popularização de redes sociais e o vício que as pessoas adquiriram em ver apenas felicidade, sorrisos e vidas perfeitas expostas para o mundo, não há mais lugar para a camaradagem, para o "ombro amigo", para o apoio necessário quando se vivenciam tristezas. Se você estiver em um momento ruim, seus amigos agirão como se não o vissem, ignorando-o descaradamente. Caso venham a conversar, será para dizer algo inteligente como "pára com isso", "siga em frente", "esqueça isso"... O ato de compartilhar, para a imensa maioria dessas pessoas, restringe-se a situações felizes.

E penso "por que raios temos que ser alegres o tempo todo"? Fingir um sorriso cravado nos lábios que não corresponda à própria alma? É muita hipocrisia! Devo, realmente, ser da "old school", da época em que amigo o era para todas as horas. Qual a vantagem de se ter tantos amigos contabilizados pelo mundo, se menos de 1% realmente o são? É uma decepção mas, a vantagem disto é a possibilidade de se romper amizades que nunca existiram. Como aquele lugar-comum: "antes qualidade, do que quantidade".

DECLARAÇÃO LIVRE DOS DIREITOS DAS PESSOAS DESOBRIGADAS DA FELICIDADE CONSTANTE (by Mafalda Crescida)

I – Toda pessoa tem o direito de errar, mesmo que já tenham explicado a ela mil vezes o certo sem que ela tenha entendido, pois o tempo de compreender e aprender é de cada um.
II – Toda pessoa tem o direito de mudar de idéia, de se contradizer, de voltar atrás, de recomeçar, pois a melhor coisa da vida é mudar, principalmente nas coisas que a gente pensava serem imutáveis.
III – Toda pessoa tem o direito de chorar, de sentir dor, de soluçar e de ficar com ar melancólico, pois o riso, muitas vezes, é falso, enganador e insano.
IV – Toda pessoa tem o direito de fazer silêncio, de calar, de não responder, de ficar quieta e não sair tagarelando, pois no silêncio estão as melhores respostas.
V – Toda pessoa tem o direito de se cansar e de ficar doente, pois o corpo, muito mais sábio que a mente, não é de ferro e sabe sinalizar a hora de parar.
VI – Toda pessoa tem o direito de enraivecer, de xingar, de esmurrar as paredes, de jogar coisas no chão, de gritar. Pois, como disse aquele poeta, tem coisas que só o grito consegue dizer.
VII – Toda pessoa tem o direito de perder, pois só quem perde sabe o quão inesquecível e instrutiva pode ser uma derrota. ( Sobre isso, ouça esta canção. )
VIII – Toda pessoa tem o direito de se dar mal nos negócios, de não conseguir lidar com dinheiro, de não querer ser rico, pois quem tem muito normalmente esquece como é viver com pouco.
IX – Toda pessoa tem o direito de ter medo, pois o medo é um bom anjo da guarda.
X – Toda pessoa tem o direito de duvidar, de perder a fé e de achar que tudo vai dar errado, pois às vezes, tudo dá errado mesmo, e não é culpa de ninguém.
XI – Toda pessoa tem o direito de não saber, pois quem já sabe tudo perde o motivo de viver.
XII – Toda pessoa tem o direito de falar bobagem, pois nem sempre é legal ser inteligente.
XIII – Toda pessoa tem o direito de se esconder, pois todo refúgio é recuperador.
XIV – Toda pessoa tem o direito de se achar o camarada mais ferrado do mundo, pois o problema de cada um é o pior do mundo para cada um.
XV – Toda pessoa tem o direito de reclamar, pois externar o descontentamento ajuda a gente a pensar sobre ele.
XVI – Toda pessoa tem o direito de desperdiçar uma boa chance, pois mesmo as boas chances, muitas vezes, não chegam em boas horas.
XVII – Toda pessoa tem o direito de não ser feliz incondicionalmente o tempo todo, pois a infelicidade faz parte da vida. E é mais feliz quem sabe lidar com ela do que quem a ignora.

Observação:. Diante de tantos direitos, fica estabelecido para a pessoa o dever de preservar os outros de suas más fases, evitando o desrespeito, a agressão e a impertinência, pois precisaremos dos outros para comemorar conosco quando tudo passar.
 
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