15 de maio de 2017

Quanto tempo dura o luto?


Alguém tem coragem de me dizer? Quem não vivenciou a perda de entes queridos em condições dolorosas física e emocionalmente pode ter a ousadia de definir por quanto tempo posso ficar triste ou com raiva por não tê-los mais a meu lado? 

E não me venha com “isso é egoísmo”, “faz parte da vida”, bla, bla… Esse tipo de “chavão” apenas contribui para perpetuar a sensação terrível de que as pessoas estão cada vez mais insensíveis. 

É muito conveniente e fácil cultivar amizades em momentos de alegria. Complicado é quando você precisa de amparo, de uma palavra de esperança, de um abraço… 

Hoje é Dia das Mães. E não celebro há sete anos. Comemorar em cemitério? Eu, hein? “Mas você não pode ficar assim, eles estão em um lugar melhor…” Poxa, é a frase mais ridícula a se dizer nesta situação. 

Cada pessoa vive o luto da forma e pelo tempo necessário pra gerenciar a ausência de quem se foi. Não se deve generalizar, e luto não é uma doença, é uma situação. 

Sim, a cada ano fica menos doloroso enfrentar datas específicas (aniversários, dias da morte, Natal, dia das mães, dia dos pais…), mas é inevitável não sentir o peito arder por não ter mais a presença física dos entes que partiram. 

Adoraria curtir o dia de hoje com minha mãe. Mimá-la, levá-la para passear, encher a casa de orquídeas (sua flor preferida)… Mas não sei se aguentaria perdê-la novamente… 

Sinto saudades dela. Das palavras de sabedoria, do abraço reconfortante que sempre colava meus pedacinhos quebrados pela vida, do sorriso lindo e bondoso… mas, meu Deus: eu nem me lembro mais da voz dela! Realmente a perdi. E esta vida, caro leitor, sem seus pais é cada um por si.
 
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